Primeiras Impressões: Phantom Seer

Novo mangá sobrenatural da Shonen Jump! Será que vinga?

Com o fim de um dos maiores fenômenos da história dos quadrinhos japoneses, Kimetsu no Yaiba, veio junto uma nova leva de mangás sobrenaturais explorando youkais, demônios, fantasmas, ET Bilu etc. Isso é algo muito normal e, diria até, bem inteligente. O povo está sanguinário por mais conteúdo de algo que está explodindo no momento, igual foi com Yaiba. Obviamente que escrever um título de extremo sucesso dentro de um determinado gênero é para pouquíssimas pessoas e o resultado simples de tudo isso é vermos uma grande parte destes títulos que vieram na leva sendo uma bela porcaria ou muito fracos. Faz parte. Até mesmo autores consagrados, autores bons de escrita e autores criativos podem fazer um trabalho pífio em um gênero que não possuem muita experiência ou apreço. Muitos fazem para se desafiar, muitos fazem para aproveitar a onda, muitos fazem porque sempre quiseram fazer. Saindo do lado dos autores, temos também os engravatados, isto é, o pessoal das editoras: editores, editores chefe, executivos em geral. Com certeza as revistas de mangás incentivam muito um determinado tipo de obra para ser serializado em momentos como foi este de Kimetsu no Yaiba. E não tem nada de errado nisso, faz parte do jogo.

Em meio a todo esse contexto, um dos mangás que possuem semelhanças e que poderiam se encaixar dentro do gênero de obra sobrenatural, explorando criaturas sobrenaturais, temos Phantom Seer. Diferente de Yaiba, o mangá não tem a pretensão de ser ou tentar ser igual ao seu já encerrado irmão. Phantom Seer vai mais para o lado colegial e bebe um pouco de inspiração de outras obras, como o genial Mob Psycho 100. Bom, tudo isso ”no papel”. Mas e na execução? A parte mais difícil de qualquer obra e que sofre ou ganha com diversos fatores externos.

Phantom Seer é um mangá bem interessante em sua ideia central. O mangá tem um apelo maior para adolescentes ou um pouco mais jovens que isso. Evidentemente que qualquer um pode ler e gostar, não importando a idade. Essa foi apenas a minha impressão ao ler todos os 12 capítulos já publicados. Por outro lado, esse mesmo mangá talvez seja um dos únicos até hoje que teve páginas com tamanhas cenas de horror. Sim, em alguns momentos temos cenas dignas de uma obra do Junji Ito, mestre do horror dos quadrinhos. Eu achei muito interessante ver algo assim em um mangá da Shonen Jump. Definitivamente algo bem distante de um público jovem.

Voltando a ideia central, Phantom Seer gira em torno de Iori, garoto do ensino médio que possui poderes psíquicos. Ele é um shaman. Exorciza criaturas sobrenaturais. Mas ele faz isso sem qualquer vontade. O seu sonho é ser uma pessoa normal. Infelizmente, sua irmã, Yayoi, é líder de uma das organizações de shamans que existe. Ela é muito poderosa e acaba meio que obrigando o irmão a tomar atitude. Não se engane, esses momentos entre eles são mais divertidos e engraçados do que algo sério ou pesado. No outro lado da moeda, a heroína, Aibetsu, possui o poder de atrair criaturas sobrenaturais. Porém ela sempre viveu como uma pessoa normal e nem tinha ideia de que esses seres existiam. Ela é uma pessoa de bom coração que ama ajudar os outros. Devido a um incidente em particular, Iori e Aibetsu cruzam caminhos e passam a ser amigos e a exorcizar as criaturas sobrenaturais. Enquanto ela ama o que faz, o Iori odeia. Até então temos dois personagens interessantes e típicos de shounens. O mundo do mangá ainda possui esse sistema de organizações diferentes de shamans que pode abrir um leque interessante para o enredo, além do fato de que os poderes dos personagens são associados a determinados seres sobrenaturais que eles possuem uma certa ligação, seja por contrato, seja por força, para combater, lutar e exorcizar. Além dos shamans, ainda existem as ”mãos”, parceiros com características parecidas com a da Aibetsu, que são auxiliares dos shamans. Ambos se ajudam e se complementam para exorcizar e cair na porrada.

Como deu para perceber, temos algo bem bacana e promissor. Algo que não tenta ser muito profundo ou sério, mas que ainda agradaria uma boa parte de leitores. Um mangá desse tipo sendo colegial e até tendo cenas de terror. Bem bacana. Contudo, isso tudo infelizmente ficou apenas no papel, porque a execução peca bastante. Ficou bem claro que o novato autor que cuida do roteiros ainda precisa de mais experiência. Ficou bem claro que ele criou um mundo legal, mas que não soube como conduzir ele de maneira natural, orgânica. Somado a isso, o mangá conquistou posições medianas nas votações dos leitores da Shonen Jump, deixando visivelmente a dupla de autores meio perdidos sem saber que caminho seguir. O resultado? A história acabou sendo bastante rushada em alguns capítulos. Poderes apelões surgindo sem uma explicação, o próprio sistema de poderes sem aprofundamento. Batalhas muito rápidas. Personagens surgindo do nada e sem uma apresentação mínima. E por aí vai. Isso, infelizmente, é bastante normal com novos mangás na Weekly Jump. É a famosa pressão e falta de paciência. Alguns autores precisam de tempo pra desenvolver a história com calma, mas a loucura da revista não permite tal espaço em quase todas as situações. Por enquanto, Phantom Seer não está necessariamente no olho do furacão para um cancelamento, pois ainda existem outros títulos tendo um desempenho pior. O mangá, inclusive, ganhou uma página colorida na última edição da Jump, o que sempre é um sinal bacana dos editores de tentarem incentivar os autores ou de dar um gás pra obra. Espero que eles superem essa fase turbulenta do começo e consigam o tempo necessário para evoluir o mundo de Phantom Seer, que é bem legal.

Enquanto os personagens vão resolvendo casos que envolvem criaturas sobrenaturais, como fantasmas possuindo pessoas podendo levá-las à morte, um espelho que suga pessoas para dentro dele criando um mundo à parte, uma sala amaldiçoada na escola que tenta atrair alunos, um trem amaldiçoado levando as pessoas para uma dimensão paralela etc etc etc, sempre víamos os autores dando pistas sobre o backstory do Iori. Aparentemente ele perdeu alguém muito próximo a ele e por isso parou de gostar de ser um shaman e decidiu que o melhor para ele seria sair daquela vida e ser uma pessoa normal. Infelizmente, devido aos ranks não muito bons do mangá na Jump, os autores apressaram bastante as coisas e tivemos algumas explicações e envolvimento com personagens sobre o backstory do Iori contados de maneira meio jogada e sem muito envolvimento para com o leitor. Eles não entregaram tudo o que aconteceu, mas boa parte já foi contada nesses 12 capítulos apenas.

Eu, sinceramente, não vejo um futuro para o mangá. Acredito que ele deverá ser cancelado na próxima ou na seguinte reunião de estreias e cancelamentos do departamente editorial da Jump. O autor é criativo, porém ainda lhe falta experiência. O ponto fraco, na minha humilde e modesta opinião, é a condução e desenvolvimento do roteiro, da história. Falta aprofundamento. Falta saber qual é a dos personagens. Falta saber qual é a daquele mundo. Falta saber quem é o antagonista. Falta saber as consequências da lore que ele criou. Falta desenvolver um pouco mais os personagens. Falta muita coisa. Ele faz uma pequena parte de tudo isso que falta, mas ainda é muito pouco. Não que seja necessário ter todas ou alguma dessas partes que eu citei para termos algo interessante. Já vimos vários casos em que as obras fizeram sucesso sem alguns desses fatores no começo. Acontece que, com Phantom Seer, isso realmente vem afetando. Isso significa que o roteirista do mangá é um caso sem solução? É evidente que não. Vários autores famosos não vingaram seus primeiros trabalhos na Jump. Vários. E nada impede que Phantom Seer dê a volta por cima.

Mas por que diabos eu continuei e pretendo continuar lendo o mangá? Porque nem todo mundo está sempre a fim de ler algo denso ou incrível o tempo todo. Eu fico feliz em ler alguns títulos apenas por diversão e sem muito compromisso. Por isso eu recomendo que deem uma chance ao mangá.

Qual é o grande ponto forte de Phantom Seer? Essa pergunta é MUITO fácil de responder: A ARTE! Puta que pariu, o desenhista desse mangá é incrível. Não temos nada revolucionário, mas o cara realmente desenha DEMAIS. Não só pelas páginas de horror, como também pelas cenas de ação e algumas outras normais mesmo. A arte é linda e bem impactante. Ele consegue deixar momentos e personagens de um jeito bem badass. Gostaria muito de ver esse desenhista em um mangá de grande sucesso, caso Phantom Seer não vingue. Seria um puta desperdício deixar ele de fora da revista.

Os dois autores da obra são novatos. O roteirista se chama Gotou Tougo e o desenhista se chama Matsuura Kento. Um detalhe bacana sobre o Kento-sensei é que ele era, antes, assistente da mangaká responsável pela arte em Act-Age, Usazaki Shiro. Ele também já teve um mangá de três volumes na Shonen Jump, Tokyo Shinobi Squad, em 2019, ao lado do mangaká Tanaka Yuki. No seu primeiro trabalho, ele também foi o responsável pela arte do título. Outro detalhe bem bacana, dessa vez sobre Phantom Seer, é que o mangá foi publicado anteriormente como one-shot entre os candidatos da Golden Future Cup de 2018, sendo o grande vencedor do concurso! Espero que a Jump continue com esses concursos para promover e incentivar novos talentos e dar espaço para autores já rodados e experientes mostrarem suas obras com avaliação feita por grandes nomes da indústria.

Acredito que Phantom Seer mereça uma chance de vocês. É um mangá divertido de ler, que não se leva muito a sério por enquanto, que traz alguns elementos fora dos padrões da Shonen Jump, como as ditas cenas de terror, e que também tem uma arte deslumbrante. Independente do que acontecer com a obra no futuro, é sempre muito legal ver novos autores com tamanho potencial criativo e de arte aparecendo. Vale a pena ficar de olho neles e nos seus trabalhos futuros. Se Phantom Seer vingar, espero que o roteirista melhore a escrita e tenha mais tempo para desenvolver os acontecimentos. Caso não vingue, que isso tudo sirva de experiência para um próximo trabalho. É muito mais fácil errar no começo, o verdadeiro desafio vem depois, com novos mangás. O autor de Boku no Hero, por exemplo, só foi conseguir emplacar na sua terceira tentativa. Vamos ver o que vai acontecer. Vou ficar na torcida.

Nota: 6,5/10

Onde Encontrar: MANGA Plus (app/site oficial da Shueisha e de graça!)

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